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Novidades nas coordenações da Janainas

Após um ano e meio, Joanna Fatorelli conclui seu ciclo como coordenadora do Frauenpower in Mitte (FIM) / (Re)descobrir. A jornalista Adriana Meyge assume o projeto e passa a coordenação do time de Comunicação & Marketing para Camila Polido. Conversamos com as três sobre suas trajetórias e o que vem pela frente.


por Beatriz Dacar


Joanna Fatorelli chegou à coordenação do (Re)descobrir em 2025 com uma trajetória que atravessa gestão de projetos, cooperação internacional e formação científica. Ao longo desse período, atuou no planejamento e desenvolvimento do programa, na articulação de parcerias e na construção de metodologias voltadas às trajetórias profissionais de mulheres migrantes em Berlim.


Confira abaixo a entrevista, em que Joanna fala dos desafios da coordenação, das escolhas metodológicas do período e do que leva dessa experiência.



Quais os desafios e as principais conquistas da sua coordenação no FIM?

JF: Um dos principais desafios foi coordenar um projeto que atende trajetórias migratórias muito diversas — atravessadas por diferenças de idioma, raça, geração e neurodivergências —, mantendo coerência metodológica sem apagar essas diferenças entre as participantes.


"Cheguei ao FIM encontrando metodologias já construídas pela Janainas — oralidade, acolhimento, reconhecimento, circulação horizontal de saberes — e dei continuidade a esse percurso. Minha formação científica me leva a testar formatos e buscar coerência entre objetivos e resultados, mas um projeto social não é um laboratório: valorizei sobretudo a liberdade para experimentar dentro do escopo do FIM."

Sistematizamos os workshops em três eixos — trajetória vivida, mercado de trabalho alemão e prática profissional —, com a literatura como linha metodológica: Conceição Evaristo em 2025, Quarto de Despejo de Carolina Maria de Jesus em 2026.


Saio com muita gratidão à equipe, às facilitadoras e, principalmente, às participantes que confiaram suas histórias.


Você trouxe literatura e teatro para discutir imigração e trabalho. Como chegou a esse formato?

JF: Foi um desenvolvimento de um trabalho que já existia — a Janainas sempre teve relação forte com oralidade, arte e reconhecimento, e procurei articular essas dimensões com ferramentas da minha trajetória.


A literatura, com Carolina Maria de Jesus, cria uma distância necessária: é difícil perguntar diretamente sobre discriminação, mas uma obra coloca uma terceira coisa na sala. O teatro entrou de forma mais prática — entrevistas e reuniões têm dimensão performativa, e usamos teatro pedagógico e jogo de papéis para ensaiá-las e construir repertório próprio.

Essas ferramentas criaram diferentes portas de entrada para os mesmos temas.


Joanna Fatorelli - Foto: Edi Fortini
Joanna Fatorelli - Foto: Edi Fortini

O ConectAção, evento criado na sua gestão do (Re)descobrir, promoveu rodas de conversa para compartilhar trajetórias e criar redes de apoio. Como surgiu a ideia?

JF: A ideia nasceu de uma percepção concreta: grande parte das oportunidades circula por redes e conversas informais, algo difícil de reconstruir depois da migração.


Criamos um espaço em pequenos grupos que aproximasse as participantes de mulheres com trajetórias diferentes — mostrando percursos reais, com pausas e recomeços, para que a dimensão estrutural dessas dificuldades também pudesse ser reconhecida, ao lado da individual.


O valor do ConectAção esteve em criar condições para encontros que geram contatos, informações e referências concretas — pequenos efeitos, mas reais.


A aposta em palestrantes ligadas à Janainas colaborou em que sentido?

JF: A Janainas é formada por mulheres migrantes com trajetórias e repertórios culturais muito diversos — boa parte das facilitadoras compartilha essa experiência com as participantes, o que colocava em circulação um conhecimento já existente na rede. As próprias participantes também traziam experiência profissional e repertórios de outros países, e por isso convidávamos também, quando fazia sentido, profissionais e organizações externas — os encontros ficavam mais ricos quando esses diferentes saberes conversavam entre si.


O que você leva dessa experiência para sua vida e carreira?

JF: O FIM aprofundou minha experiência em coordenação de projetos sociais financiados por fundos públicos — no caso, pelo Ministério Federal do Trabalho e Assuntos Sociais e pelo Fundo Social Europeu (ESF Plus) —, envolvendo planejamento, indicadores e prestação de contas, ao lado do trabalho mais qualitativo de desenhar workshops e acompanhar grupos.


Essa leitura mais aberta de trajetória profissional — nem sempre linear, construída por formação, idioma, redes e circunstâncias concretas, não só por escolha individual — já vinha da minha própria trajetória, e se aprofundou observando as histórias das participantes.

E levo as relações: sou grata às mulheres que construíram a Janainas antes de mim, à equipe, às facilitadoras e participantes que confiaram ao projeto suas histórias.


Você gostaria de deixar uma mensagem para a nova coordenadora do FIM, Adriana Meyge?

JF: Desejo à Adriana uma experiência muito bonita no FIM. Ela recebe um projeto com história longa, construída por muitas mulheres, que continua vivo — e por isso continuará mudando. Espero que tenha tranquilidade para entender que um projeto social nunca fica completamente pronto.


Tenho muito carinho pelo projeto e pelas pessoas com quem trabalhei — sigo por perto, agora de outro lugar, com gratidão pelo tempo que tive aqui.


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Adriana, nova coordenadora do (Re)descobrir


Adriana Meyge
Adriana Meyge

Após coordenar a área de Comunicação & Marketing das Janainas desde o início de 2026, a jornalista Adriana Meyge assume a coordenação do FIM. Há nove anos em Berlim, ela concluiu um mestrado interdisciplinar com foco em Política, Mídia, Estudos Culturais e Migração na Humboldt-Universität zu Berlin e foi consultora de comunicação para a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Durante sua atuação na Comunicação da Janainas, Adriana formou um novo time de voluntárias e ampliou a presença dos eventos da Janainas nas redes sociais, ajudando a alcançar novas mulheres.


A experiência também lhe permitiu conhecer outras áreas da organização e contribuir para a ampliação da rede de voluntárias e para o financiamento de projetos.


Para Camila Polido, deixa uma mensagem de incentivo: que aproveite a oportunidade para aprender, experimentar e conhecer pessoas, sem se cobrar para fazer tudo. Afinal, mesmo com recursos limitados, o trabalho coletivo de mulheres voluntárias pode transformar ideias em realidade. Ela agradece ainda à Bia, Marcele, Roberta e Alessandra pela parceria nos projetos de comunicação e reforça: “Contem comigo!”


Acompanhe a entrevista com Adriana sobre o seu novo papel em Janainas:


O que te levou a aceitar o desafio de coordenar o FIM / (Re)descobrir?

AM: Organizações de mulheres imigrantes, como Janainas, Carlotas e Frauenalia, foram fundamentais no meu processo de autoconhecimento e fortalecimento na Alemanha. Por isso, sempre tive vontade de contribuir mais ativamente com projetos que tenham esse propósito.


Quando surgiu a oportunidade de coordenar o (Re)descobrir, encontrei um trabalho alinhado aos meus valores, com autonomia para criar e contato com pessoas.

Estou muito honrada em assumir esse desafio e em acompanhar tantas mulheres em seus próprios processos de redescoberta.


Como sua experiência na comunicação pode contribuir nessa nova etapa?

AM: Na coordenação de projetos de comunicação, tive a oportunidade de trabalhar com parceiros, financiadores e especialistas das mais diversas áreas, incluindo. Essa experiência me ensinou a ouvir, a olhar para as coisas de forma mais ampla e, principalmente, a aproximar pessoas e ideias. Acho que essas são habilidades que vão fazer diferença nessa nova etapa.


Além disso, desde que entrei na Janainas, em fevereiro do ano passado, venho aprendendo mais sobre projetos e conhecendo melhor o ecossistema de organizações migrantes e feministas de Berlim. Esse conhecimento e essa rede também serão importantes para o novo desafio.


Quais são suas expectativas em relação ao (Re)descobrir?

AM: Quando migramos, trazemos competências, conhecimentos e sonhos que nem sempre conseguimos traduzir para o mercado de trabalho alemão. Com o (Re)descobrir, queremos criar espaços de acolhimento e fortalecimento para que as participantes reconheçam o valor de suas histórias e sigam em movimento."


Este ano, teremos novidades como workshops em formato de laboratório, encontros de coworking e uma agenda ampliada de orientação individual. Também quero fortalecer a cooperação com empregadores e outras organizações migrantes.


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Camila, nova coordenadora de Comunicação e Marketing



Camila Polido
Camila Polido

Nascida em Nova Iguaçu (RJ) e criada profissionalmente em São Paulo, Camila Polido é formada em Comunicação Social, com ênfase em Publicidade e Propaganda. Ao longo da carreira, passou por agências de publicidade, produtora, startup e uma big tech, atuando principalmente em Atendimento e Gerência de Projetos, além de Operações e Produção.


Apaixonada por pessoas, arte, música e fotografia, chegou a Berlim há quase cinco meses e escolheu a cidade por sua criatividade e movimento. “Vim uma primeira vez como turista e me senti em casa.”


Embora seja sua primeira experiência em uma ONG, Camila sempre se encantou por projetos sociais e encontrou na Janainas uma forma de unir sua experiência ao desejo de gerar impacto.


Seu objetivo?

"Alcançar o maior número possível de mulheres com informações importantes, de forma criativa, acessível e transformadora."

Bem-vinda, Camila!


 
 
 

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